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A equação 220 – IDADE é um equívoco!

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10 de outubro de 2014

A equação 220 – IDADE tem sido utilizada desde a década de 70 para predizer a frequência cardíaca máxima. Tem sido citada em inúmeros livros, artigos científicos e posicionamentos sobre exercício físico de diversas organizações da área. Entretanto, embora tenha se tornado o padrão na literatura e amplamente utilizada a nível clínico e no fitness, sua validade é discutível.

A equação tem sido atribuída erroneamente a Martti J. Karvonen, célebre médico Finlandês, que propôs o método da Frequência Cardíaca de Reserva. Ou seja, a equação 220-idade, não foi proposta por Karvonen!

A equação foi criada por Fox, Naughton, and Haskell em 1971. Essa equação não foi derivada de um grupo de indivíduos estudado pelos autores, mas sim de uma compilação de estudos anteriores. Nesses estudos, todos os indivíduos eram homens com idade inferior a 55 anos. Ou seja, essa equação não levou em consideração mulheres ou idosos. Entretanto, seu uso atual é indiscriminado.

Em um recente posicionamento, o Colégio Americano de Medicina Esportiva (ou American College of Sports Medicine – ACSM), atentou para o fato de que a precisão dos métodos de prescrição de exercício (por ex. % FCmax e % FC reserva) poderem ser influenciados pelo método de estimativa da Frequência Cardíaca Máxima. Tem sido observado que a equação 200-idade pode superestimar a FC max em adultos jovens e pode subestimar a FC em idosos.

Outras equações para estimar tem sido consideradas como superiores para estimar a FCmax por levarem em consideração as possíveis influências associadas com envelhecimento e gênero.

O ACSM aponta que embora essas equações sejam promissoras, mais estudos são necessários antes que uma ou mais equações sejam recomendadas para uma aplicação universal. Nesse sentido, medidas diretas da FC são recomendadas para maior precisão. Entretanto, segundo o ACSM, quando a medida direta não for possível, o uso dessas equações de estimativa é aceitável (1).

Por exemplo, um indivíduo de 50 anos teria a seguinte FC máxima estimada:

x

Fox, Naughton & Haskell, 1971 = 170 bpm
Tanaka, Manahan & Seals, 2001 = 173 bpm
Gellish et al, 2007: 172 bpm
Gulati et al, 2010: 162 bpm
Zhu et al, 2010: 166 bpm

Indivíduos da mesma idade podem apresentar frequências cardíacas máximas muito diferentes. Robergs e Ladwehr (2002) em uma interessante revisão sobre a equação 220-idade indicam que estimativas podem implicar em erros até maiores que 11 bpm. Essa grande variação pode resultar em valores de Frequência Cardíaca inaceitáveis na prescrição de exercício.

 

Referências:
Fox III, S.M. Naughton, J.P. and Haskell, W.L. Physical activity and the prevention of coronary heart disease. Ann Clin Res 1971;3:404-432.
Gellish RL, Goslin BR, Olson RE, McDonald A, Russi GD, Moudgil VK. Longitudinal modeling of the relationship between age and maximal heart rate. Med Sci Sports Exerc. 2007;39(5): 822–9.
Gulati M, Shaw LJ, Thisted RA, Black HR, Merz CN, Arnsdorf MF. Heart rate response to exercise stress testing in asymptomatic women. The St. James Women Take Heart Project. Circulation. 2010;122(2):130–7.
Robergs, R. A., and R. Landwehr. The surprising history of the “HRmax= 220-age” equation. JEPonline 2002; 5: 1-10.
Tanaka H, Monahan KD, Seals DR. Age-predicted maximal heart rate revisited. J Am Coll Cardiol. 2001;37(1):153–6.
Zhu N, Suarez-Lopez JR, Sidney S, et al. Longitudinal examination of age-predicted symptom-limited exercise maximum HR. Med Sci Sports Exerc. 2010;42(8):1519–27.

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